Quando uma rota estratégica fica sob pressão, a posse e o controlo dos ativos físicos voltam a fazer a diferença.
A crise no Estreito de Ormuz está a mostrar isso de forma muito concreta.
Contratos de transporte e cadeias logísticas eficientes em condições normais podem não ser suficientes quando uma rota estratégica entra em situação de risco.
A 7 de agosto, a ADNOC Logistics & Services anunciou a aquisição de 11 navios – cinco grandes transportadores de gás e seis grandes petroleiros – num investimento de 1,3 mil milhões de dólares.
Não significa que o Estado tenha de possuir todos os ativos estratégicos.
Significa que tem de saber quem os controla, onde estão as dependências críticas e, sobretudo, se existe capacidade efetivamente disponível quando o mercado deixa de funcionar como habitualmente.
Esta é uma discussão de soberania económica.
Para Portugal, com a sua posição atlântica, aplica-se aos portos, aos navios, à reparação e manutenção naval, aos combustíveis, às ligações ferroviárias e rodoviárias, aos sistemas digitais e a toda a cadeia logística.
Infraestruturas estratégicas não são apenas betão, aço ou tecnologia.
São capacidade.
E soberania económica também é ter capacidade para manter o país a funcionar quando as condições mudam.