Carlos Moldes: entre a experiência e o futuro, uma convicção chamada Intermodalidade
Carlos Moldes, presidente do Grupo Moldtrans, trouxe ao Dia do Transitário uma reflexão marcada por quatro décadas de experiência profissional e por uma convicção que o tempo não conseguiu abalar: a ferrovia continua a representar uma parte essencial do futuro da Logística.
Com boa disposição à mistura, apresentou-se não como especialista, mas como alguém que tem vindo a «acumular juventude». Uma experiência que lhe permite olhar para a evolução do setor com entusiasmo, mas também com a consciência dos caminhos que continuam por percorrer.
No arranque da sua carreira, já acreditava no potencial do transporte ferroviário. Hoje, mantém essa expectativa, embora reconheça o desfasamento entre a promessa e a realidade. «Continuo a pensar que o futuro está aí, porque o presente não ajuda muito», observou, colocando em evidência os desafios que persistem na concretização de uma verdadeira integração dos diferentes modos de transporte.
A Intermodalidade sempre foi o conceito-chave
Para Carlos Moldes, a intermodalidade está longe de ser um conceito novo ou uma tendência que o setor tenha descoberto recentemente, apesar de só agora ser priorizado pelos governos. Faz parte da própria essência da atividade transitária e da capacidade de organizar cadeias de transporte que cruzam geografias, infraestruturas e soluções operacionais distintas.
«Sempre fomos intermodais», recordou o líder da Moldtrans, que foi o keynote speaker do segmento da manhã. Desde a chegada de mercadorias por via marítima, passando pelo desalfandegamento e armazenamento, até à distribuição por estrada ou ferrovia e à chegada a destinos insulares, a atividade transitária vive diariamente da articulação entre diferentes meios e serviços.
O desafio está, portanto, menos em reconhecer a importância da intermodalidade e mais em criar condições para que esta possa funcionar com maior fluidez e competitividade. O presidente do Grupo Moldtrans reconheceu os avanços registados nas ligações marítimas de curta distância, mas apelou a um maior compromisso das administrações e das entidades responsáveis pelas infraestruturas, de forma a facilitar a integração operacional entre os vários modos de transporte.
Aos profissionais do setor deixou ainda uma mensagem sobre a importância das relações entre empresas e da maturidade do mercado: «Somos competidores, não somos inimigos». Uma distinção que reforça a necessidade de encontrar espaços de colaboração, mesmo num contexto de concorrência, para construir soluções mais eficientes e fortalecer a capacidade competitiva de toda a cadeia logística.