Iberia «não é só uma peça do puzzle europeu» e Alfarelos pode ser «argumento nacional»
Portugal e Espanha: de periferia a «alternativa»
Para Rui Fernandes, sem acessibilidades eficientes e infraestruturas adequadas e interligadas, será impossível captar massa crítica capaz de alavancar o crescimento. «Se as empresas que hoje procuram relocalizar-se mais perto da Europa encontrarem cá boa vontade e más ligações ferroviárias, más acessibilidades, terminais sem capacidade, vão simplesmente instalar-se onde encontrarem as duas coisas ao mesmo tempo», avisou. «Enquanto discutimos internamente prazos e bitolas, outros corredores avançam sem esperar por nós».
«Afarelos não é uma aspiração, é uma operação real»
«A Península Ibérica não é só uma peça do puzzle interno europeu. É, geograficamente, a charneira entre três mundos: a Europa continental, o Atlântico e o Mediterrâneo, e — não o esqueçamos — a América Latina e África. Espanha e Portugal têm uma oportunidade concreta de se afirmarem como a ponte entre a União Europeia e a América Latina, numa altura em que Bruxelas procura ativamente diversificar parcerias comerciais», lembrando que, neste contexto, o terminal da TMIP pode ser um «argumento nacional e ibérico».
«Alfarelos não é uma aspiração. É uma operação real, com transbordo multimodal de carga, com ligação ao Porto da Figueira da Foz, com empresas a utilizá-lo. Estamos a mostrar um ativo que funciona e que tem uma vantagem geográfica que poucos pontos do país têm — o cruzamento da Linha do Norte com o Ramal de Alfarelos, e ligação à Linha do Oeste. Um nó ferroviário destes não se inventa. Ou existe, ou não existe. E este existe — exatamente no momento em que empresas europeias procuram nós como este», rematou o autarca.