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A Geopolítica no Dia do Transitário: os desafios de um comércio global em transformação

30 de outubro 2026

Tiago André Lopes, especialista em Relações Internacionais, foi um dos oradores de destaque no Dia do Transitário: saiba mais sobre a sua análise geopolítica e os impactos na vida logística.
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O comércio internacional está profundamente condicionado pela geografia, mas também pelas relações de poder, pelas tensões políticas e pela estabilidade das principais rotas de circulação de mercadorias. Foi a partir desta realidade que o professor Tiago André Lopes, especialista em Relações Internacionais e Diplomacia, conduziu a sua intervenção no Dia do Transitário 2026. Sob o tema «O mundo em movimento: Geopolítica, comércio e as novas rotas da logística global», apresentou uma leitura dos principais corredores comerciais mundiais e da forma como a sua importância estratégica condiciona o funcionamento das cadeias de abastecimento. Do Estreito de Malaca ao Canal do Suez, passando pelo Estreito de Ormuz e pela rota do Atlântico Norte, ficou evidente a concentração de volumes comerciais muito significativos em pontos geográficos cuja estabilidade é determinante para a economia global.

A vulnerabilidade destas ligações tornou-se particularmente evidente na análise dos constrangimentos à navegação no Estreito de Ormuz e das consequências que as perturbações em corredores estratégicos podem provocar no comércio internacional. Perante estes riscos, Tiago André Lopes identificou diferentes alternativas em desenvolvimento ou passíveis de utilização, entre as quais a rota do Cabo da Boa Esperança, o Corredor do Meio, a Rota do Mar do Norte, o corredor Índia–Médio Oriente–Europa e o Corredor de Lobito, em África. Cada possibilidade apresenta vantagens geográficas e estratégicas, mas também limitações próprias, desde os custos acrescidos e os constrangimentos de infraestrutura até à instabilidade política e às condicionantes de segurança. A diversificação das rotas surge, assim, como uma resposta à necessidade de reduzir vulnerabilidades, embora não constitua uma solução isenta de novos riscos e investimentos.

A intervenção terminou com uma reflexão sobre a forma como Estados e empresas devem tomar decisões num contexto de incerteza, distinguindo risco, incerteza e a necessidade de avaliar o valor das diferentes opções disponíveis. Neste enquadramento, o professor introduziu ainda a distinção entre interconectividade e interdependência: enquanto a primeira assenta em relações de menor custo, que preservam a autonomia dos intervenientes, a segunda implica compromissos mais profundos, com maiores custos, mas também com dividendos potencialmente superiores. Uma distinção particularmente relevante para um setor que depende da articulação entre mercados, operadores e infraestruturas e cuja competitividade está cada vez mais ligada à capacidade de antecipar mudanças e adaptar as suas redes de transporte a uma realidade internacional em permanente transformação.

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