Se a tensão já vem causando efeitos negativos, imagine se o conflito militar eclodir: afinal, que impactos pode o setor da Logística esperar?
A tensão entre os EUA e o Irão continua a escalar e muitos analistas consideram que o conflito militar está a dias de eclodir, podendo ter repercussões globais na Economia e nas Cadeias de Abastecimento que interligam o mundo. As sanções aplicadas pela administração de Donald Trump, com a querela nuclear no centro da questão, vêm gerando incertezas geopolíticas que afetam, diretamente, a Logística e a Atividade Transitária - o que podemos esperar caso o conflito seja uma realidade? Como será afetado o setor, e, em específico, os Transitários?
Contexto Geopolítico Atual
O programa nuclear do Irão continua a estar no centro do debate e, segundo a Casa Branca, na raiz de um problema que se adivinha global. A tensão diplomática é já indisfarçável e clima de incerteza tem levado o Irão a reforçar exportações de energia, e produtores do Golfo a ampliar fluxos de crude para criar almofadas caso o conflito se agrave. O impacto mais imediato — e de maior repercussão global — está, naturalmente, no mercado petrolífero, com empresas - de todas as dimensões - a fazerem contas à vida. As últimas negociações não surtiram efeito.
Choques nos Mercados Energéticos
O Estreito de Ormuz, passagem marítima vital na exportação de petróleo e gás natural liquefeito, estará, caso a cisão se materialize, à beia de se tornar um ponto de conflito: cerca de 30% do petróleo mundial exportado por mar passa nesta zona. A ameaça de bloqueio já está a impulsionar tarifas de transporte de crude e seguros de guerra a níveis recorde: não se trata de uma projeção, mas sim de uma realidade. Os modelos económicos sugerem que um bloqueio poderia levar o Brent para mais de 130 dólares por barril, afetando inflação e crescimento económico.
Entre as consequências macroeconómicas estão o aumento dos custos de energia e pressões inflacionárias mundiais, o potencial adiamento de cortes de taxas de juro e manter políticas monetárias apertadas e um crescente pressão sobre economias intensivas no que toca à importação de energia. Se olharmos em detalhe para o setor logístico e para a atividade transitária, vislumbramos um mar de efeitos negativos que, a breve trecho, terão impactos inegáveis no dia-a-dia operacional das empresas e poderão deixar marca em 2026.
Shipping mundial sentirá a pressão
O setor da logística poderá sentir com particular intensidade as implicações de um conflito EUA-Irão. A começar logo pelo Shipping: com o risco no Golfo Árabe, as rotas marítimas tornam-se mais dispendiosas. Os prémios de seguro de guerra aumentam substancialmente, elevando custos operacionais para navios e, portanto, para os transitários. Além disso, a opção por rotas alternativas (contornando África via Cabo da Boa Esperança ao invés de cruzar o Golfo) aumentará os transit times, os custos e a complexidade logística. Rotas mais longas e atrasos nos portos reduzem a capacidade geral de transporte, levando a aumentos de preços e volatilidade nas tarifas.
Carga aérea e rodovia também serão 'casualties' desta guerra
E porque o petróleo tudo afeta, também os transportes aéreo e rodoviário sentirão os impactos deste potencial conflito: o combustível de aviação e diesel de transporte terrestre tende a subir com o preço do crude, pressionando custos da carga aérea, camionagem e consolidação; as alterações de rotas de voo serão outra das consequências visíveis: o passado tem demonstrado que, em situações de tensão elevada no Médio Oriente, algumas companhias evitam espaço aéreo de risco, levando a rotas mais longas e custos maiores.
O conflito militar é um risco cada vez maior, contudo, e sem um disparo sequer ter sido feito, a verdade é que os alguns dos efeitos desta tensão palpável já são uma realidade, afetando a economia global e o setor logístico. Os preços do petróleo, as taxas de frete e seguros, e o risco nas rotas marítimas estão já a impor desafios operacionais significativos. Transitários e operadores logísticos que anteciparem estes desenvolvimentos e ajustem os seus planos de contingência, diversifiquem rotas e reforcem a gestão de risco estarão mais bem posicionadas para navegar num ambiente cada vez mais volátil.
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