Para a Yilport, «o maior desafio tem sido mudar o paradigma e mudar a forma como o mercado olha para os nossos serviços», explicou Carlos Ramalho durante o curso Port2Rail.
Carlos Ramalho, Regional Logistics Operations Manager da Yilport Iberia, foi outro dos destaques do curso Port2Rail, que decorreu a bordo de uma composição da CP, entre os dias 19 e 21 de Maio. O representante da Yilport - que apoiou a iniciativa formativa - abordou a evolução operacional da empresa na península ibérica, analisou a conexão entre porto e ferrovia e explicou os desígnios estratégicos no domínio ferroviário, bem como a importância do transporte intermodal rumo a um ecossistema logístico mais interligado, eficiente e sustentável.
«Quando, em 2015/2016, a Yilport toma conta da operação, fica com uma rede de terminais dotados de infraestrutura ferroviária e que acabavam por ter solicitações para prestar serviços logísticos que pudessem completar a operação marítima. Ferrol, Leixões, Aveiro, Figueira da Foz, Liscont e Sotagus, Huelva e Setúbal: em todos eles há um plano de desenvolvimento para que as infraestruturas possam acompanhar o crescimento dos volumes que os portos conseguem acomodar», introduziu Carlos Ramalho, perante mais de 30 formandos.
«Em Ferrol, cujo foco é o transhipment, estamos muito próximos de ter um acesso ferroviário direto que vai permitir um crescimento exponencial. Esta nova ligação vai aumentar o raio de ação do hinterland, permitindo captar cargas tanto no norte de Espanha e um pouco mais para sul», explicou Carlos Ramalho. Já Leixões, prosseguiu, é um «terminal de referência, onde as operações decorrem com uma grande complexidade devido aos elevados volumes», com um dos «principais eixos é Leixões-Liscont, sempre em dois sentidos».
Para a Yilport, «o maior desafio tem sido mudar o paradigma e mudar a forma como o mercado olha para os nossos serviços», sublinhou o responsavel. «Nós tomamos como missão: organizar o comboio e captar carga em ambos os sentidos, de forma a que seja um ciclo que possa tornar o preço mais competitivo mas também o serviço, aumentando a regularidade». Carlos Ramalho salientou ainda o «grande raio de ação» da operação em Lisboa, «servindo os clientes do centro através do Entroncamento». Via Elvas, denotou, também a Extremadura fica ao alcance.
O tempo, explicou, é de investimento infraestrutural: «A Liscont vai começar em breve a obra de construção da parte da infraestrutura ferroviária, vamos espelhar a linha, permitindo realizar comboios com maior comprimento, maior eficiência para o cliente e maior economia de escala. Em Setúbal também decorrem várias obras; atualmente, a operação é sujeita a pedidos e não é regular. Estamos a investir, a captar, e, no fundo, a criar um produto que seja competitivo para encontrarmos uma solução que os clientes possam escolher e preferir».
Para Carlos Ramalho, «há muito volume rodoviário que pode passar a ferroviário»: existem, ainda, «muitos camiões na estrada e muitos camiões parados em filas, que poderiam, ao invés, entregar as suas cargas num terminal seco e deixar a carga pesada para o meio ferroviário». A meta, assegura, não passa por fazer concorrência ao camião, que, vincou, «será sempre a primeira e a última milha». Mas as «muitas vantagens» que o intermodal traz à cadeia logística são claras: «existem muitas provas disso no Norte da Europa», assinalou.
«Durante as disrupções globais (como o COVID e os conflitos militares), pode ser um excelente complemento. Sabemos, contudo, que temos um longo caminho a percorrer para, um dia, virmos a ter a capacidade que o mercado quer», declarou ainda, lembrando que a missão de fazer evoluir o transporte ferroviário de mercadorias não é fácil: «Com a infraestrutura a não ser gerida por nós, é necessário haver uma conexão com a entidade que a lidera, para haver um desenvolvimento combinado», finalizou.