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Do contentor à moeda: a ascensão do Renminbi pode transformar a Logística?

11 Jun
O renminbi passou a ser usado mais vezes do que o euro em certas operações de comércio internacional, sobretudo na liquidação (pagamento) de mercadorias. O que poderá mudar na Logística caso a tendência se consolide?
O renminbi ultrapassou o euro no comércio mundial - facto. Isto não quer dizer, contudo, que tenha ultrapassado o euro em todas as dimensões financeiras globais. Segundo o relatório do BCE sobre o papel internacional do euro, a quota do renminbi no financiamento do comércio internacional terá chegado a cerca de 8%, enquanto o euro se mantém perto dos 6%. Ainda assim, a verdade é que o renminbi realmente ultrapassou o euro no que concerne à utilização da moeda em financiamento/liquidação de comércio internacional.

Como se traduz então esta dita 'ultrapassagem'? Simples: o renminbi passou a ser usado mais vezes do que o euro em certas operações de comércio internacional, sobretudo na liquidação (pagamento) de mercadorias. Não significa que a economia chinesa tenha ultrapassado a europeia em todos os aspetos financeiros, nem que o renminbi seja agora a principal moeda mundial. Mas este desenvolvimento dá-nos indícios de que o Euro perdeu peso relativo e de que a China está a ter sucesso em aumentar o volume de comércio internacional feita pela sua moeda. 

Ou seja, quando se vende ou se compra produtos a outros países, há mais empresas dispostas a usar o renminbi em vez de dólares ou euros. Isso dá à China mais influência económica e reduz a sua dependência de moedas estrangeiras. Mas, atenção: tal não significa que o renminbi seja mais forte ou mais confiável que o euro em todos os sentidos. O euro continua a ser uma das principais moedas mundiais. A mudança é sobretudo no comércio de mercadorias, onde a dimensão da China lhe permite ganhar espaço.
 
Este resultado chega após esforços visíveis da China para aumentar a internacionalização do renminbi e traduzindo o seu poder industrial e capacidade exportadora em preponderância financeira, mesmo até recorrendo a acordos bilaterais (reduzindo a sua dependência do Euro e do Dólar). Poderemos estar a assistir a uma transformação das cadeias logísticas globais à boleia da ascensão desta moeda? Afinal não nos podemos esquecer que quando uma moeda ganha peso no comércio, altera a forma como as cadeias de abastecimento funcionam.

Contratos internacionais, pagamentos a fornecedores, financiamento de importações, gestão cambial, seguros, cartas de crédito; e operações de comércio exterior - em todos estes aspetos a influência global de uma moeda interfere, molda e determinal. A moeda é - como o Dólar o é indubitavelmente - parte da infraestrutura logística invisível. E estas transformações podem, também, influenciar o paradigma da Atividade Transitária, uma vez que a Logística acompanha, sempre, a evolução do Comércio Internacional.

Um transitário não gere apenas caixas, contentores ou documentos de transporte. Gere uma cadeia económica completa. No futuro, uma potencial maior utilização do renminbi pode significar maior necessidade de conhecimento sobre comércio com a China, maior necessidade de conhecimento sobre comércio com a China, maior importância da gestão cambial, uma adaptação dos sistemas de informação, novos requisitos bancários e documentais e clientes com pedidos de soluções de pagamento diferentes.

Foto: Free-Images.com | Pixabay
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