Ormuz reabriu: «Tudo isto é muito volátil e os armadores, as seguradoras e até algumas autoridades marítimas mantêm muitas cautelas relativamente a um regresso», analisou a APAT em entrevista ao jornal Eco.
As negociações entre EUA e Irão prosseguem mas sem certezas definitivas quanto ao futuro geopolítico e diplomático - o Estreito de Ormuz voltou a ser reaberto mas a periclitante paz que agora impera está ainda longe de convencer os agentes económicos e os analistas políticos. Que futuro poderá o setor do Shipping e da Logística global esperar, na sequência deste primeiro (ainda que ténue) entendimento? Ouvida pelo jornal Eco sobre esta matéria, a Associação dos Transitários de Portugal (APAT) analisou o que ainda está por vir.
Situação geopolítica ainda «muito volátil», alerta a APAT
«Tudo isto é muito volátil e os armadores, as seguradoras e até algumas autoridades marítimas mantêm muitas cautelas relativamente a um regresso imediato, até porque é fundamental garantir a segurança da navegação e eventualmente implementar medidas operacionais que estavam suspensas e voltar a avaliar os planos alternativos», declarou, ao jornal Eco, o diretor-geral da associação que representa os transitários. Para António Nabo Martins, «só teremos uma situação normal e se tudo correr de forma normal dentro de alguns meses».
O processo de harmonização de rotas e de fluxos comerciais e logísticos será gradual e demorará vários meses: isto no melhor dos cenários. A APAT salienta que a guerra no Irão teve um forte impacto no custo do frete marítimo - «de 60% a 75%, dependendo, nomeadamente, de seguros mais caros, escolha por rotas alternativas, disponibilidade dos portos alternativos e obviamente devido à subida do preço do petróleo», explicou António Nabo Martins. Outra das certezas é a de que os fretes descerão «mais lentamente» do que a celeridade na hora da subida.
Normalização dos fluxos será lenta e gradual
«O que vai demorar mais a normalizar é o regresso aos fluxos normais da cadeia de abastecimentos e é perfeitamente expectável que os fretes desçam mais lentamente do que subiram», acrescentou o diretor-geral da APAT. «Após o regresso à normalidade há congestionamento de navios, contentores mal posicionados e congestionamento dos Portos, são normalmente condicionantes para o regresso à normalidade tanto no trânsito como nos preços. Temos notado, que, normalmente, após uma disrupção nesta cadeia os efeitos logísticos mantêm-se durante algum tempo, normalmente devido às alterações operacionais operadas na frota mundial», rematou o representante da associação.
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