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Corrida ao controlo logístico end-to-end: CMA CGM compra FedEx Supply Chain

09 Jul
A mega-aquisição da FedEx Supply Chain pela CMA CGM por 1,4 mil milhões de dólares é muito mais do que uma simples operação de Merger & Acquisition. É, em sombra de dúvidas, mais um passo (considerável) na transformação da logística global para um modelo de integração vertical, em que um único operador controla praticamente toda a cadeia logística: navio, avião, terminal portuário, armazém, transporte terrestre e distribuição. Esta operação fica, por enquanto, sujeita a aprovações regulatórias. 

Este novo capítulo da Logística global reforça, ainda mais, uma tendência de Consolidação e Integração que se acentuou, sem retorno, após a pandemia de COVID-19. À semelhança da rival Maersk, a CMA CGM deixa definitivamente para trás a condição de armador para reforçar o seu estatuto de fornecedor end-to-end, já consagrado aquando da aquisição da CEVA Logistics. Durante muitos anos, os armadores competiam por capacidade marítima. Agora competem pela cadeia logística completa. O valor já não está apenas no contentor.
 
Atualmente, o paradigma é já bastante diferente daquele que reinava há uma década atrás. Hoje em dia, muito para lá do contentor, o valor reside nos dados, no inventário, na armazenagem, no transporte multimodal e nos serviços de valor acrescentado. Estamos perante uma mudança estrutural do setor, primeiro do Shipping, e, depois, do fenómeno da Logística como um todo. Para players gigantes como a CMA CGM, quanto maior for o controlo da cadeia logística, maior será a capacidade de negociar tarifas, otimizar ativos e oferecer contratos globais.

O Transitário enquanto consultor de Supply Chain por excelência

Esta situação causa, obviamente, uma subida da pressão competitiva sobre operadores independentes. Os efeitos desta contínua transformação do setor impactam os restantes players da cadeia logística. Para os Transitários, a mensagem é clara: competir apenas pelo preço do frete será cada vez mais árduo. A diferenciação passará por conhecimento setorial, tecnologia, consultoria, flexibilidade e capacidade de desenhar soluções logísticas que os grandes operadores integrados nem sempre conseguem oferecer de forma personalizada.

Esta 'ameaça' traz, contudo, uma oportunidade de progresso: os Transitários poderão, mais uma vez, fazer prova da sua enorme capacidade de adaptação, capitalizando Conhecimento em prol de soluções cada vez mais personalizadas que escapam à padronização operacional dos colossos como a Maersk, CMA CGM ou Amazon. O futuro do transitário aproxima-se mais do papel de consultor de Supply Chain por excelência do que de intermediário e arquitecto de transporte. É aí que reside o valor acrescentado que só ele pode dar:
 
  • desenho de cadeias de abastecimento complexas;
  • consultoria aduaneira e fiscal;
  • logística para setores altamente regulados (farmacêutico, defesa, química);
  • gestão de risco geopolítico;
  • soluções multimodais personalizadas.

Foto crédito: Free-Images.com | autor: Alf van Beem
CC0 License or Public Domain
 

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