Para o presidente executivo da APAT, esta medida será mais gravosa quanto mais tempo durar, sendo de salientar que esta é a primeira vez que o Estreito de Ormuz é fechado.
Com a guerra entre EUA e Irão a escalar de intensidade, a Associação dos Transitários de Portugal (APAT) foi convidada a comentar o impacto que este conflito militar terá na configuração do Comércio Internacional e na definição das redes logísticas, um pouco por todo o mundo. O fecho do Estreito de Ormuz, medida que já se antecipava, coloca o tráfego de petróleo em xeque e as consequências serão mais devastadoras à medida que o conflito permanecer persistir. Aos microfones da CNN, a APAT analisou o panorama de guerra e os seus efeitos imediatos.
Estreito de Ormuz em encerramento «seletivo»
António Nabo Martins, presidente executivo da APAT, explicou que se trata de um «fecho seletivo do Estreito de Ormuz», vincando que esta decisão do Irão deixará de fora o tráfego interno - os «navios de bandeira iraniana terão prioridade - e também a China, que continuará a percorrer a passagem marítima. Num ápice, a decisão provocou congestionamentos graves nesta rota, sendo que são já mais de cem os navios (em grande parte navios petroleiros) em
stand by naquele estreito, por onde passa cerca de 27% de todo o petróleo comercializado no mundo.
Para o presidente executivo da APAT, esta medida será mais gravosa quanto mais tempo durar, sendo de salientar que esta é a primeira vez que o Estreito de Ormuz é fechado ou seletivamente bloqueado. À luz do impasse militar que parece não ter fim à vista, vários são já os países que começam a planear o uso de reservas estratégicas e a contenção de preços (como, por exemplo, o ISP): é o caso de Portugal. A importância deste estreito não se limita à circulação de petróleo: 20% da produção de Gás Natural Liquefeito passa também por Ormuz.
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