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Guerra no Irão: «contentores retidos» e «aumento generalizado do frete»

13 Mar
«As cargas que estavam em trânsito para a região do conflito foram, muitas delas, desviadas para portos seguros», salientou o presidente executivo da APAT, António Nabo Martins.
O presidente executivo da Associação dos Transitários de Portugal (APAT), António Nabo Martins, voltou aos bastidores do canal NOW para analisar os impactos comerciais e económicos do conflito militar entre os EUA e o Irão. «Estamos a antever o que realmente se ia passar, tendo acontecido precisamente aquilo que perspetivávamos: o conflito não terminou, antes, agravou-se, com cargueiros a serem atingidos», introduziu, durante a emissão informativa do Canal NOW, uma semana após a entrevista inicial ao canal de televisão.

«Preços dos produtos estão a disparar»

«Há muitos contentores retidos nos portos de Portugal, porque alguns armadores deixaram de operar naquela zona e até em zonas adjacentes, devido à insegurança. Os custos dispararam, com os contentores de 40 pés a chegarem aos 3000 dólares. Com a escassez e com o receio da falta de crude e com o aumento do preço dos combustíveis, já se nota um aumento generalizado do frete marítimo, para várias regiões do globo, inclusivamente para o continente americano», prosseguiu, em direto, o presidente executivo da APAT.

«Tal como antevíamos, os preços dos produtos estão a disparar, essencialmente pelo efeito do considerável aumento do preço dos combustíveis, mas também pela questão da gestão do risco, em termos de seguros de carga», referiu. «As cargas que estavam em trânsito para a região do conflito foram, muitas delas, desviadas para portos seguros – para levantar essa carga, os clientes têm de encontrar forma de fazer o levantamento dessas cargas e devolver o contentor vazio ao armador», explicou António Nabo Martins.

Comércio Internacional à beira de perder ímpeto?

Estarão já as encomendas a abrandar, devido às repercussões do conflito? «Ainda não vemos, em termos gerais, as encomendas a recuar, mas, claro, em Portugal, o tráfego de pedra para o Médio Oriente já não está a acontecer, pois sabemos que, tão depressa, não haverá ligação direta. Relativamente às outras encomendas, o desvio para rotas alternativas – mais longas – haverá escassez de importação da matéria-prima, e consequentemente, de exportação desse produto acabado, que produzimos e exportamos para os vários pontos do globo», rematou.

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