Depois da parceria, firmada em 2025, e da presença nos eventos '20º Congresso Apat' e 'Logipack 2025', Pedro Ferreira Queimado, fundador da empresa Kronolog Solutions, é um dos destaques da primeira edição da Revista APAT 2026. Em entrevista, o especialista em Eficiência Logística contextualizou o nascimento da Kronolog Solutions e explicou a sinergia com a Atividade Transitária, que está para durar.
*Esta é a parte 1 da entrevista concedida por Pedro Ferreira Queimado à Revista Apat (edição 157, Janeiro-Fevereiro, que pode ser lida aqui).
Como surgiu a paixão pela Logística?
Conte-nos um pouco sobre o trajeto que o levou até à fundação da Kronolog Solutions.
É uma paixão quem vem dos tempos de faculdade. Estudei engenharia industrial na FCT Nova e descobri aí qual era a minha paixão: a Logística. Comecei a estagiar na Jerónimo Martins, em 2008, e curiosamente, não comecei nos armazéns, mas sim nos transportes, fazendo recolha de indicadores para suporte à tomada de decisão da gestão de topo. Fui percebendo que havia muita margem para progressão, muita capacidade por aproveitar; depois, ao ser integrado na direção de transportes, comecei também a dimensionar rotas, ainda à mão, em Excel. Notei que havia muita falta de eficiência, muita capacidade por explorar. Acabei por ser o primeiro trainee interno da Jerónimo Martins – estive 4 anos no antigo Feira Nova, em Sintra, e aí pude perceber como é que as ineficiências impactavam as operações de loja. Depois, voltei para os armazéns, numa operação completamente diferente: gestão de peixe fresco. Estive 8 anos em Retalho, considero-me um filho do Retalho. Foi uma aprendizagem grande no que toca à gestão de operações e gestão logística. Não tive dúvidas: o que é eu gosto é de Logística.
Mais tarde fui desafiado a optimizar as operações da SeaSide e aí comecei a colocar em prática a eficiência, a otimização de operações e estruturação de processos. Trabalhei sempre em líderes de mercado. Seguiu-se a Adecco: assumi um cargo de direção na divisão de outsourcing em ‘Industrial e Logística’, passando a ter uma função de B2B, satisfazendo necessidades de outras empresas que tinham, por sua vez, de satisfazer as necessidades dos seus clientes. Estamos a falar de mais de 50 clientes com mais de 50 operações diferentes – isso deu me conhecimento técnico para poder ajudar as minhas equipas a resolver situações diárias das operações dos nossos clientes. Foi uma grande aprendizagem e criei relações muito próximas no mundo do Supply Chain em Portugal. Ao fim de 3 anos pensei em montar a minha própria empresa. O que decidi? Vou aventurar-me, vou ajudar PME’s a otimizar processos. A linha comum do meu trajeto sempre foi: eficiência, otimização de processos e sustentabilidade. Então, nada melhor que abrir a minha empresa e ajudar o tecido empresarial português, feito de empresas pequenas que já têm operações a crescer mas que não conseguem dar resposta ao crescimento do negócio que a equipa comercial imprime. Não há pior que perder um cliente por incapacidade de resposta. É aqui que a Kronolog Solutions entra.
A ineficiência operacional é uma lacuna sistémica com custos avultados.
Como identificou essa problemática e a tornou o centro da sua missão?
Por normas, as empresas são montadas com base no conhecimento, ou da produção, ou da venda. Quando começam a olhar para a operação e a perceber que têm de dar resposta às crescentes necessidades impostas pela equipa comercial, não têm o conhecimento técnico, e, ao mesmo tempo, não têm a necessidade de ter alguém a tempo inteiro: entrou eu enquanto consultor externo – é a partir daqui que tudo começa. Sempre percebi que havia imensa oportunidade para ajudar empresas no que toca à eficiência operacional. Problemas vários, como a falta de conhecimento técnico ou a centralização da decisão numa só pessoa, são alguns deles. E, depois, existe uma lacuna no mercado: para as PME, há muito pouca oferta pois grande parte das consultoras estão talhadas para grandes empresas, e, muitas delas, com consultores com pouca experiência no terreno. A minha mais-valia é: eu sei o impacto da minha decisão porque vivi as operações logísticas na primeira pessoa. É um fator diferenciador.
Nasce a Kronolog Solutions.
Como se posiciona no mercado e que metas pretende alcançar?
A Kronolog Solutions apresenta-se ao mercado como um consultor de soluções de eficiência, independentemente da área onde opera. Se for a solução procurada for conhecimento técnico de operações e otimização de processos e fluxos, é a Kronolog Solutions que fornece o serviço diretamente; se a solução vier de uma área diferente, temos parcerias especiais para dar resposta em domínios como Sistemas de Informação, Gestão de Armazém, Otimização de Rotas, Visibilidade de Carga Aérea. Temos parceiros especializados para fornecer soluções que a operação necessita, nunca sem antes haver um mapeamento prévio para percebermos o que está em falta, sempre com otimização.
Como consultor, quero detetar ineficiências e minimizá-las ao máximo para que, aplicando depois a tecnologia, consigamos aplicar esse corte nas ineficiências operacionais em conjunto com as equipas – não é possível trabalhar com um cliente sem envolver as equipas no terreno, afinal, são elas que têm o conhecimento real das operações. Quando faço a auscultação das equipas, retiro da equação a equipa de gestão e as chefias, pois é a única maneira de eu saber como é realidade da operação no terreno, sem constrangimentos. Como um recente estudo explica, mais de 60% das melhorias propostas por consultores não chegam a ter resultados devido à falta de envolvimento das equipas. Além disso, existe muito desfasamento entre as chefias e as equipas operacionais – eu, enquanto consultor externo, não tenho vínculo a situações internas, logo, quando forneço o relatório de análise da operação, coloco o dedo na ferida e aponto os problemas e trago-os à tona. Não haver noção de como a operação decorre é uma das causas da ineficiência.