Barry van Leuven, co-fundador e diretor da empresa Pionira, abordou, no TechLogistics, o papel da IA e da digitalização na eficiência administrativa das empresas ligadas à Logística.
Barry van Leuven, co-fundador e diretor da
Pionira foi outra das referências do evento
TechLogistics 2026, que se realizou no passado dia 16 de Junho, no Parque das Nações. O especialista em Digitalização abordou a problemática da adopção das práticas e estruturas digitais no ecossistema logístico, explicando as origens da resistência à mudança e os impactos que a falta de eficiência de processos (desde o reporte, submissão de dados, intracomunicação e sistematização de processos com entidades externas) tem nas empresas de hoje em dia.
Fear, Uncertainty and Doubt: a tríade que resiste à digitalização
«Arrancámos na Logística, há mais de 25 anos, com a ideia de remover o papel. Digitalização. Hoje, em 2026, continuamos com o mesmo desafio: ajudar pessoas, ajudar empresas sobre como mudar as suas mentalidades; mas, no fim de contas, na área dos Transportes, ainda usamos papel. A diferença entre digitalização e o resultado final é: o papel. Porque é que o papel ainda é dominante na Logística?», questionou Barry van Leuven. «Há uma resposta para essa questão: FUD - Fear, Uncertainty and Doubt (Medo, Incerteza e Dúvida)».
«Muitas pessoas têm receio: o que devo fazer? O que irão os meus concorrentes fazer? E todos os outros que estão ligados ao ecossistema logístico? O fardo reside no facto de a Logística envolver imensas pessoas e entidades. Se comprarmos uma aplicação, para uso interno, somos nós a usá-la. Simples. Mas se trabalhamos em Logística e queremos avançar com algum que envolva múltiplas entidades...já é orientado para a comunidade. Ou seja: se escolheres digitalizar, toda a gente tem de seguir esse caminho para que isso tenha sucesso», explicou.
«A tecnologia não é o problema, mas sim o ecossistema»
Para o co-fundador da Pionira, a problemática central resume-se, assim, à assimetria e desconexão de um processo de adopção que está ao sabor de sentimentos, reticências, receios e anseios. O fator community driven que caracteriza este processo (e o seu ecossistema) torna a evolução irregular e muitas vezes feita de desencontros funcionais e operacionais. «Nós somos o elo mais fraco. Nós, as pessoas, somos programados para pensamento linear. E é isso que temos de quebrar no que toca à Logística», atirou.
«A tecnologia não é o problema, mas sim o ecossistema», salientou Barry van Leuven. «As pessoas criando e submetendo informação, telefonando, escrevendo emails: é aí que se cometem os erros. A IA ajuda-nos a colaborar uns com os outros e criar soluções que resultem em menos erros durante o processo administrativo», explicou, ilustrando: «Cerca de 75% dos motoristas que têm de preencher papelada, cometem erros. Não é fácil preencher um CMR 100% correto. E o que resulta daí? Caos. Temos diferentes progressos em termos de adopção: os motoristas acabam por lidar com diferentes métodos, diferentes suportes. É assim que se cria caos. É neste contexto que surge o eFTI».
Apesar da urgência na adopção de sistemas digitais e na desmaterialização de processos na área da Logística e Transportes (recorde-se que será obrigatória a aceitação de documentação de transporte em formato digital, não apenas o CMR, a partir de Julho de 2027), o co-fundador da Pionira lembra que cada empresa pode trilhar o seu caminho de digitalização «passo a passo», de forma gradual, adaptando o processo às suas possibilidades. «A digitalização pode ser um processo levado a cabo passo a passo. Papel, híbrido e digital. É esta a forma de avançar na digitalização. A empresa pode digitalizar fases e processos consoante lhe for mais benéfico e estratégico. É um processo gradual e progressivo. O objetivo é a recolha e utilização de dados e a optimização da colaboração com os stakeholders; rematou.