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APAT sobre a Isenção na CREP: medida positiva mas que ainda é insuficiente

04 Dez
«Defendemos a criação de corredores logísticos, rodoferroviários, conectando Lisboa e Porto ou Sines e Leixões, levando mercadorias ao interior de forma mais eficiente e ecológica». 
No passado dia 25 de Novembro, a TVI contactou a Associação dos Transitários de Portugal (APAT) para analisar a decisão governamental de isentar os pesados de mercadorias na CREP, visando assim, aliviar o tráfego na super-congestionada VCI. António Nabo Martins, presidente executivo, avaliou a medida como «positiva» mas lembrou que, por agora, trata-se apenas de uma pequena intervenção que não resolve o problema de fundo: o país necessita de apostar em corredores logísticos para ser mais 'verde' e eficiente.
 
«O que sabemos é que o levantamento foi feito apenas para os períodos de hora de ponta: de manhã e ao fim da tarde. A APAT considera uma excelente medida, pois a VCI está tão congestionada que todos esses custos de contexto, que são usualmente repercutidos ao consumidor, são cada vez mais elevados. Estamos a falar de custos de imobilização, de paragem, e por aí adiante: são sempre repercutidos no cliente final», começou por analisar o presidente executivo da APAT, aos microfones da TVI. Contudo, muito ainda há a fazer.

Medida «excelente» mas que não resolve o problema de fundo

«Quanto mais trânsito temos, mais tempo perdemos, maior sinistralidade temos, mais CO2 emitimos e maiores são os índices de degradação da infraestrutura. Sobre esta medida do Executivo, achamos que se trata de uma excelente medida, contudo, deveria ser acompanhada de outras, complementares, que considerados serem extremamente importantes. Por exemplo: a APAT sempre defendeu e continuará a defender a criação de corredores logísticos intermodais. Temos de aliviar o tráfego rodoviário de longo curso», vincou.

António Nabo Martins explicou que não se trata de desvalorizar o setor rodoviário e as transportadoras, mas sim de estruturar, para o país, um sistema de conectividade mais ágil, intermodal e complementar. «Não somos contra a rodovia, entendemos que a rodovia e insubstituível e faz os First e o Last Mile como ninguém, somos defensores da rodovia. Mas, se temos de atingir reduções de CO2 de acordo com as metas internacionais, temos de aliviar tráfego das estradas», declarou, enfatizando a importância do transporte rodoviário de mercadorias.

Corredores Logísticos: um imperativo que implica repensar a conectividade

«Defendemos a criação de corredores logísticos, rodoferroviários, conectando Lisboa e Porto ou Sines e Leixões, e dessa forma conseguir levar mercadorias ao interior de forma mais eficiente, rápida e ecológica. Se conseguíssemos fazer 3 comboios vezes 30 cargas entre Lisboa e Porto estaríamos a obviar a 90 camiões a circular na VCI (num cenário em que todos fossem para Leixões, por exemplo). Acabaríamos também a aliviar tráfego das autoestradas (como a A1, por exemplo) que interligam as duas cidades», explicou António Nabo Martins.
 
«Com uma aposta em corredores logísticos, teríamos maior intermodalidade e conectividade, eficiência no transporte e na interligação entre os diferentes meios, maior coesão territorial, e, eventualmente, melhores preços para o cliente final», rematou.

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