«Se a guerra ultrapassar as cinco semanas, vai ser complicado», alertou o presidente executivo da Associação dos Transitários de Portugal (APAT), durante uma entrevista concedida à TSF, no passado dia 14 de Março. Na visão de António Nabo Martins, o prolongar do conflito no Médio Oriente trará consequências bem mais gravosas que aquilo que inicialmente poderia estar previsto; o fecho do Estreito de Ormuz continuará a ter um devastador impacto na carteira de empresas e consumidores, a reboque da escala do preço dos combustíveis.
Escalada de risco onde a única certeza é o aumento dos custos
«Estamos a falar de preços com aumentos de 300%. Por exemplo, os contentores de 20 pés e os de 40 pés passaram imediatamente a ter uma taxa de risco superior a dois mil dólares, que depressa passou para mais de três mil e, em alguns casos, chegou aos quatro mil dólares. Dependia das circunstâncias, pois havia toda uma carga em trânsito e ninguém sabia o que ia acontecer, tal como hoje, também ninguém sabe quando terminará o conflito, infelizmente», declarou o representante da APAT, no programa radiofónico da TSF, 'Negócios em Português'.
A passagem marítima, crucial para o tráfego marítimo de mercadorias, e, em especial, de produtos petrolíferos, encontra-se restrita a navios chineses e iranianos, sendo vedada, sob ameaça bélica, ao restante mercado. Tal, explica António Nabo Martins, implica desvios de rotas, aumentos significativos de tempos de trânsito e encarecimento substancial e generalizado do frete - aspetos negativos que se juntam ao aumento do preço dos combustíveis, essenciais para a produção e transporte da maior parte dos produtos.
APAT atenta à situação e aos impactos junto dos Transitários
Uma situação que afeta as empresas transitárias, forçando a estratégias de contingência (rotas alternativas, redefinição de mapas e de cadeias complementaridade na organização logística) e a um impacto económico direto, seja pelo aumento dos custos de armazenamento e reconfiguração dos planos, seja pela escalada no preço dos combustíveis. Transportar carga para o Médio Oriente, é, atualmente, um desafio complexo que obriga a uma meticulosidade que só o Transitário está habituado a colocar neste tipo de processos.
«Estamos constantemente a estudar caminhos e rotas alternativas para impactar o mínimo possível a atividade, os nossos clientes e a população em geral», comentou o presidente executivo da APAT.
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