Impossibilitados de circular, os comboios perderam carga diretamente para a rodovia, o que se traduziu num corte de receitas e uma diminuição no seu volume de negócios do setor.
As fortíssimas intempéries que assolaram o país no arranque de 2026 continuam a repercutir-se na integridade do ecossistema logístico: a ferrovia que o diga. Em declarações prestadas à TSF, Miguel Rebelo de Sousa, diretor-executivo da Associação Portuguesa das Empresas Ferroviárias (APEF) realçou que as tempestades forçaram a um desvio de 300 mil toneladas de carga, da ferrovia para as estradas portuguesas.
Impossibilitados de circular, os comboios perderam carga diretamente para a rodovia, o que se traduziu num corte de receitas e uma diminuição de cinco milhões de euros no volume de negócios do setor. A esta situação aliaram-se as consequências do despoletar do conflito militar no Irão, com óbvias repercussões nos preços da Energia, levando a APEF a propor uma redução de 15% no custo da tonelada por quilómetro.
À TSF, Miguel Rebelo de Sousa, que, em representação da APEF, integra também a Comunidade de Logística Ferroviária (CLF), salientou que existe a expectativa de um pacote de benefícios do PTRR. As perdas podem ascender aos 5 milhões de euros e a situação não se resolveu com o findar do mau tempo, uma vez que os efeitos na infraestrutura ainda se sentem em linhas como a Beira Baixa e Oeste.
O representante da APEF, que desde Abril de 2025 desempenha o cargo de vogal na CLF, lembrou o Executivo de que o setor ferroviário também depende do diesel e da eletricidade para operar, vincou ainda que deve haver uma equidade entre a ferrovia e a rodovia na altura de desenhar e projetar estratégias de investimento, capacitação e modernização.